Carta de Despedida a SONU 2014

Fortaleza, 26 de outubro de 2014.

 

Iniciei a escrever essa carta diversas vezes nas últimas semanas e simplesmente não chegava a uma conclusão de como me “despedir” da Simulação da Organização das Nações Unidas. Se não posso traduzir em um único texto toda a experiência que tive com a SONU, tampouco agradecer a todos os envolvidos nessa experiência, que ao menos eu possa expressar um pouco do que foi a minha trajetória na SONU, em especial em 2014.

Seja lá o que a SONU for – iniciativa, trabalho escravo, projeto, programa ou grupo de amigos – o fato é que ela passou de algo que me era completamente desconhecido para algo central na minha vida nos quatros anos em que diretamente nela me envolvi.

Em 2011, fui basicamente obrigado pela minha cara amiga Zara Radge, que viria a ser secretária-geral da SONU 2012, a participar da primeira simulação do United Nations Security Council em inglês. Ao longo dos dias, fui percebendo ali uma forma única de ensinar e de aprender.

Se eu fora “obrigado” a participar em 2011, nos dois anos seguintes organizei a SONU com mais que bom grado. Ser diretor sempre foi o melhor papel a desempenhar na simulação para mim. Trabalhar com pessoas como Felipe Felix, Manoela Fleck, Igor Carvalho, Karine Garcêz, Ricardo Maia, Bruna Luyza, Bárbara Danthéias foi uma experiência única, principalmente porque tive também o prazer de ter o suporte de outros futuros grandes amigos: Yohanna Pinheiro, Thales Veras, Paula Firmeza, Juliana Felix, Sávia Erma, Isaac Rodrigues, Elaine Quinderé, Camila Magalhães, Thais Leo, Cecília Pontes, dentre tantas outras pessoas, as quais os limites dessa carta não me permitem mencionar.

Nessa linha, aprendi a escrever de maneira científica na SONU, preparando o material didático do Conselho da União Europeia (Consilium –  SONU 2011) e da Organização de Cooperação Islâmica (OCI – SONU 2012). Minha primeira citação em ABNT foi em um Guia de Estudos da SONU, que resultou na minha primeira apresentação de trabalho científico.

O que não dizer ainda da preparação das crises internacionais malucas da SONU, seus roteiros de cinema, que perigosamente vêm do mundo real ou, pior ainda, acontecem nesse mundo real. Foi em uma dessas crises que conheci o SONU “Love”.

Agora nem tudo são flores, por óbvio. Meu primeiro chilique em público foi para controlar um comitê em polvorosa, levei grandes puxões de orelha por atrasar partes de Guias, ouvi muitas questões de ordem por errar regras, entrei em brigas porque alguém não escreveu partes do Guia ou porque eu não escrevera partes do Guia. De toda forma, foi assim que formei algumas das maiores amizades que levarei da graduação.

Em 2013, ser secretário acadêmico me parecia algo extremamente difícil (e foi), mas trabalhar com Camila Aquino, Hugo William Pinheiro Allan e Juliana Felix foi uma das coisas mais divertidas e malucas que fiz na vida, para não mencionar os outros secretários e meus queridos diretores daquele ano. Foi também minha primeira experiência com liderança de pessoas e percebi o quão difícil é estar na posição em que se espera de você definição de rumos, certezas e atitudes contundentes.

Chegamos em 2014. A ideia de ser secretário-geral da SONU na edição de 10 anos me assustou incrivelmente, mas representava a oportunidade de homenagear a SONU por todas essas oportunidades que ofereceu e oferece não apenas a mim. Pareceu-me também a oportunidade de revisitar a história dela, bem como de agradecer às pessoas que também ajudaram a fazê-la do jeito que é. Por fim, foi uma oportunidade de tentar inovar em alguns aspectos e quem sabe corrigir o que entendia por incorreto.

   No desafio, tive ao meu lado pessoas que já conhecia ou que viria a conhecer e se tornaram grandes amigos de numerosas anedotinhas tristes, felizes, absurdas, mas sempre engraçadas. Meus secretários, a quem menciono e agradeço: Natalia Oliveira, Nathanael Filgueiras, Camila Holanda, Ana Lídia Coutinho, Isabelle Bedê, Naiara Frota, Isabelly Cysne, Natalia Pinheiro, Taís Lemos, Camila Barbosa, Pedro Quinderé e Matheus Pereira. Agradeço também a pessoa que nos assessorou em 2014, a paciente Ana Maria Rodrigues que me perturbou semanas por essa carta.

Devo ainda agradecer ao Prof. Gustavo Raposo, que desde 2009 orienta a SONU, e que este ano nos deu a ideia e nos conduziu na publicação da obra que homenageou os 10 anos dessa iniciativa. A obra não teria sido nem um pouco possível sem a colaboração de antigos secretários, como Rafael Caneca, Rafael Souza, Najara Sena, Rebeca Kataoka, Ana Luisa Demoraes, Valéry-Nicolas e tantos outros.

As metas que pensamos ainda em 2013 foram grandes e ousadas, mas não foram metas que surgiram do nada. Secretários e diretores muito antes de nós deixaram os recursos e as ideias para que pudéssemos executá-las: 10 comitês, SONU como programa de extensão, SONU nas escolas, pessoa jurídica, site novo, etc. etc.

Se conseguimos realizar essas metas, foi inegavelmente graças aos mais de 50 diretores que toparam há um ano organizar a mais extensa edição da SONU e trabalharam para que o que aconteceu entre os dias 24 e 28 de setembro tivesse sido possível.

Todavia, em essência, a SONU não teria sido possível sem os mais de 210 participantes de Ensino Médio, de graduação e de pós-graduação, das mais diversas instituições cearenses e de outras partes do Brasil, que acreditaram nesta iniciativa, estudaram e se engajaram numa simulação de 4 dias. Espero sinceramente que a experiência tenha lhes agregado conhecimento, assim como fé na possibilidade e viabilidade de um sistema internacional de proteção dos direitos humanos, principal eixo temático dessa edição da SONU.

Contudo, se posso dar um testemunho pessoal, o momento mais incrível da SONU aconteceu em maio de 2014 quando começamos a simular na E.E.M. Adauto Bezerra, experiência que se repetiu no 7 de Setembro meses depois. Se já tinha alguma experiência ensinando antes de organizar a SONU, certamente foi ali que fiquei sem ar ou sem palavras por ver alunos de Ensino Médio, após lerem o material didático de antigas SONU, aprenderem depressa e sem perceber coisas que não sabiam antes, ao ponto de corrigir outras pessoas que incorriam em erros, seja por desconhecimento de fatos, seja por desconhecimento da própria política externa. Foi como vi que era definitivamente possível aprender de maneira cooperativa e dialética, seja na rede pública, seja na rede privada de ensino. O futuro da SONU certamente fica nas mãos dessa nova geração, em cuja formação espero que a SONU tenha contribuído.

Portanto, fica aqui meu muito obrigado à SONU, por tudo que me proporcionou e, especialmente, a todos os que fizeram a SONU 2014: participantes, diretores e secretários de ontem e de hoje.

Deixou ainda meus sinceros votos de sucesso e coragem para o Secretariado da SONU 2015.

Com imensa gratidão, encerro em definitivo as atividades da X SONU.

 

William M. Lessa

Secretário-Geral - SONU 2014