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[THE GLOBE] Conselho da UE discute possível alteração ao Tratado de Maastricht para expulsão de membros financeiramente prejudicados


Enquanto novas delegações fomentaram tensões, a opção de emenda ao Tratado não agradou a todos

Maria Beatriz Montenegro

Bruxelas, Bélgica

O Conselho da União Europeia deu continuidade neste domingo, 13, em Bruxelas, aos debates sobre a exclusão de membros da zona do euro frente à crise financeira que assola o bloco. A sessão ocorre após a aprovação, no dia de ontem, do Auxílio Emergencial voltado às nações mais prejudicadas. A proposta sobre o tratado constituidor da UE foi o ponto principal da reunião.

Em entrevista exclusiva ao The Globe, a delegada grega, Nathaly Oliveira, confessou-se entristecida com declarações de demais nações. Durante a sessão do dia, o clima cresceu em tensão quando a delegação da Suécia, recém-chegada e sob representação de Renato Tartuce, pontuou que a responsabilidade deve se voltar a medidas domésticas falhas de países específicos, dizendo: “algumas maçãs podres em meio a boas maçãs, ameaçam todas as outras”. Em resposta, algumas nações apontaram que alegações desse tipo serviriam para desviar a responsabilidade da União, enquanto bloco, de ajudar seus membros em momentos delicados. A delegação sueca ressaltou, em posterior esclarecimento, que se referia tão somente as políticas socioeconômicas das nações: “não me referia nem aos estados em si, nem aos seus cidadãos”, deixou claro o delegado.

Apesar de não ser membro da zona do euro, o Reino Unido se fez presente e  apontou que a União tende a repetir erros passados. Nesse sentido, sugeriu uma emenda ao Tratado de Maastricht de modo a atualizá-lo para lidar com crises futuras. Foi proposto um processo gradual para a retirada de países debilitados que não consigam cumprir com um plano de metas. A medida recebeu resistência das demais delegações, as quais apontaram a desigualdade econômica dos membros da União e o desgastante ciclo de entrada e saída de membros a depender da condição econômica.

A Finlândia, sob representação de Iago Almeida, alegou que a inércia da União em resolver a questão poderia resultar na retirada de importantes membros insatisfeitos. A delegada britânica, Lara Teixeira, em depoimento ao The Globe, declarou que esse seria um futuro “não só possível, mas também provável”. Por outro lado, o delegado alemão, Pedro Godoy, permaneceu otimista, enquadrando o euro como sucesso monetário que tende a prosperar: “[o euro] é um aspecto tangível da comunidade Europeia; é algo material que se pode olhar, tocar e dizer ‘isto é a Europa’”.

Não obstante o fato de as delegações concordarem que uma exclusão rápida de membros seria prejudicial a todos os demais, os detalhes sobre uma retirada gradual enfrentam interesses divergentes. Os debates irão retornar nesta tarde e espera-se um documento de Resolução que possa equilibrar as diferentes posições dos países por ora presentes na zona do euro.

(Foto: Reprodução)